sábado, 26 de dezembro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
sábado, 22 de agosto de 2009
sexta-feira, 17 de abril de 2009
*
Barulhos harmônicos.
Milhões de conversas próximas e simultâneas
sobre assuntos próximos e comuns.
Milhões de bom-dias desperdiçados,
milhões de acasos não aproveitados,
milhões de minutos iguais.
Um ponteiro pra cada lado,
o maior aos céus,
o menor ao inferno.
A cidade ainda é como os ponteiros dessa hora
em que burbulham pontos iluminados
numa dança descompassada,
num ritmo crescente,
independente e limitado.
Energia que pulsa,
luzes que cegam pra suprir
a luz que se despediu, e não faz falta.
Cegueira automática.
Asintomática.
Presente em todos os dias em que ainda
sobrevivemos à essa colônia governada por ninguém.
Me jogo de peito aberto às luzes da cidade,
onde ninguém é capaz de ouvir o próprio ruído dos sapatos,
onde ninguém repara no caminho por onde passa,
onde o tempo perde a relevância.
Quanto ao tempo,
muitas vezes o mais é menos,
e o menos continua sendo muito pouco.
Todos os dias o mesmo caminho,
no mesmo horário,
do mesmo jeito,
e talvez, com as mesmas pessoas.
Tudo igual.
Nosso repertório aos poucos vai se igualando à mão que aperta areia fina.
Nossas memórias juntam os dias parecidos numa coisa só,
nossa cabeça numa tentativa de encontrar ordem em meio ao caos,
e o que foram dez meses se tornam dez dias.
Envelheçemos cada vez mais rápido.
Linha reta,
sorriso no canto da boca,
vento frio no rosto,
asfalto irregular
e sempre uma música na cabeça.
Minha trilha sonora se renova a cada semana.
Que venham os faróis verdes,
não vou parar,ainda há um canto que posso chamar de lar.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Negações.
*
*
Não quero não saber não te odiar
Não quero mais correr, nem te alcançar
*
Nao te julgo, mas tento respeitar
Não te faço, nem tento superar
Não te quero, mas tento te evitar
*
*Sim.
Razão pela qual me faça repensar se tudo isso simplesmente é.
Essa loucura, sem cura, de amar.
*
*
Se tudo isso simplesmente é.
Essa loucura, sem cura, de amar.
*
*
*
*
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
domingo, 1 de fevereiro de 2009
*
Por mais que a melhor fuga elabore
Por mais que a calma te devore
Mesmo que demore
*
Não ignore!
Por mais que ore
Isso não se evita
E nem se escolhe
Ela vem e te recolhe
Não peça
Não implore
*
Como tudo renovável
A meia-noite é inevitável
Lenta e estável
Assim caminha minhas horas
Caminhando à minha hora
Hora de não ver
Nem meia noite
Meio minuto
Minha senhora
*
Finalmente vou-me embora!
Ele ora e ela ora chora
Agora
*
Temor
*
Cristina tinha roma!
*
Ide. Ide. Ide.
*
*
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Sinto em cada pulso os vestígios de uma metamorfose programada,
assistida e voluntária que maquia meu instinto criativo, intenso e libertário.
Não nego o que aprendi, nem menosprezo a felicidade conquistada.
O que me assombra é a necessidade real de provar que nunca me traí.
*
Auto-reconciliação.
*
Convencer-me que sempre estive dentro de mim.
Reconheço minha insignificância e entendo que sou culpado por tudo o que me cerca.
Pelo menos por enquanto, enquanto houver pranto, desaprenderei a me doar.
Desaprenderei a converter a dor em verso. Ou o inverso.
*
Sigo alheio em minha busca por sentido.
Absolvido.
Cúmplice de meu medo.
Evoluo e retrocedo.
Construo-me em segredo.
*
*
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
As pessoas estão exatamente no lugar que nós as mantemos.
Como saber a distância que as devemos manter?
Ter cautela não é vantagem pra ninguém quando se busca espontaneidade nos sorrisos.
Apenas achamos explicações pra algumas coisas.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
A alimento sem medo
Sem saber que a cada gesto
A enriqueço contra mim
Vivo sob sua tranquilidade apavorante
Sua calma preocupante
Sua intensidade sutil e sufocante
Toda essa intensidade tem um preço
Preço esse que não é possível mensurar
E justamente por isso serei um eterno devedor
*
terça-feira, 1 de abril de 2008
*
Quantos de nossos esforços são?
Quantas de nossas palavras são?
Quantos de nossos interesses são?
Quantas de nossas filosofias são?
Quantas vezes nós mesmos e tudo
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A perda da essência é ausentar-nos de nós mesmos
Ficando num estado de absoluta vulnerabilidade e conforto aparente.
*
Somos seres expandidos!
*
Expandimos nosso ego pra conter nossas insuficiências
Expandimos nosso ateísmo pra conter nosso pesado comodismo
Expandimos nossos credos pra conter os medos, as dores, as dúvidas
Expandimos nossas tradições e a moral para conter nossas traições imorais
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Somos mornos.
*
Preguiçosos.
*
Em vão!
*
Mas mesmo assim...
Ainda temos o controle de tudo!
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Ou pelo menos de quase tudo.
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Ou pelo menos achamos que temos.
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Ou pelo menos... Menos.
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Menos e bem menos.
Cada vez menos.
*
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segunda-feira, 10 de março de 2008
É do que a vingança se alimenta
É onde a alma se condena
*
É auto-estima imposta
É renunciar ao que se gosta
É querer a distância mais próxima
É repetir frases de efeito
É ignorar o que vem do peito
É se defender de qualquer jeito
*
É um flagelo silencioso
Silencioso mas necessário
Necessário e silencioso
*
Maximizarei os desejos e minimizarei os defeitos
Esse será seu conforto e minha salvação
Dessa intransigência racional
*
Dialética e necessária.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Não se preocupe em afiar
.
Me ponha do lado
.
.
Me olhe neste estado deplorável
Me chame para ver se atendo
Me corte sem dó
.
Me deixe jogado à própria sorte
.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Insano.
*
Em nome da relatividade das palavras mal ditas,
da arte das verdades omitidas,
da inveja camuflada em seu oposto,
da desconfiança estampada em qualquer rosto,
da nossa falsa evolução como seres humanos
e da importância ao desnecessário
estou aqui.
Venho renunciar à humanidade!
Esconjuro todos os olhares seguidos de comparação, repudio todo sorriso sem paixão, toda inveja que corrói cada coração que nem sabe ao certo o que quer, a falta de coragem para assumir pra si mesmo um amor, as complexidades desnecessárias, as filosofias, os processos, os tópicos, títulos e subtítulos que insistimos em segmentar um amor.
Amor foi feito pra ser sentido, adorado e construído pela fusão de dois seres que tem a capacidade de amar, logo de existir.
Nós precisamos de amor pra funcionar. Só.
Sendo assim não sou mais humano, sou feliz, sou liberto, sou insano.
*
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
*
Sou parte solta voando por aí
Tentando desenterrar
Lembranças mortas que nem sei se hão de convir
Desenterrado sei que limpo não virá
Após lavado sua essência se perderá
Minha metade deixarei desintegrar
Embora na verdade sei que a pena não valerá
Quando isso se cumprir
Saliva e lágrimas hão de se confundir
Quando o peso de um corpo não é mais presente
Quando o que nos sobra é inexistente
Pois nem tudo o que é vivo sente
Nem tudo o que morto se faz ausente.
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
*
Não há nenhum barulho
Silêncio incômodo
Nessa perfeição que me faz réu
Cicatriza os cortes
Por motivos paralelos que nem sei
Diz-me como caminhar
Diz-me como aceitar se meus olhos só me traem
Basta piscá-los para errar
Fugindo à luz com medo de não cicatrizar
Pois nem todas as flores têm a mesma sorte
Umas nascem para enfeitar a vida, outras a morte
Distante sim, mas à caminho do meu céu.
Embora eu estarei juntando os cacos pra manter os
Supérfulos necessários aos que me dôo,
Desacralizarei hierarquias intocáveis
Afim de sentir-me vivo mais uma vez.
Pois nem todas as flores têm a mesma sorte
Nessa perfeição que me faz réu
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
*
Vontade violenta e impiedosa
Que me rasga o peito
Me desfigura a face
Me resume ao nada.
Metade sem todo...
Sou nada sem nada...
Os sapatos a descalçar,
Das roupas se livrar, os dedos estalar.
Palavras à desentonar,
Ofegância chega à quase sufocar.
Até o obvio se descomplicar
Fusão óbvia, prazer sóbrio, mais forte ao ópio.
Um coração inressarcido
Desvalorado e confrangido
Num presente sem futuro ou passado


