sábado, 26 de dezembro de 2009

São Paulo, Dez - 2009


Olá, serei menos constante a partir de hoje. Estou trabalhando na organização de meus materiais numa reflexão única.


"...A realidade de possuir um ex-futuro é incômoda, mas se a distância duramente perdura, então foi legítimo o afastamento. E para sempre tortuosamente defenderei a legitimidade das ações ou estados de espírito que libertem uma alma incontente, insatisfeita ou com necessidade de expansão. Mas e quando o libertar de uma significa o aprisionamento de outra? Sempre tivemos e sempre teremos a necessidade da transgressão, como o copo que só se molha por completo quando transborda. Em nada evoluímos. Estamos apenas achando explicações pra algumas coisas..." 
DESCRENÇA NA DISTÂNCIA. Danilo Amâncio





quinta-feira, 22 de outubro de 2009

DURANTE.

Vida intensa e vazia
Cabeça vadia tudo repensa
Sei não ser a intenção
Só me incomoda o tom de ofensa


Arrependo já é dia
Me vem imagens e descrença
Meu tempo cria outra proporção
Enquanto a cabeça pensa


Faço coisas que não fazia
A má a boa compensa
Vivo em outra dimensão
Vida pouca, mas muito densa


Prioridades sem hierarquia
Minha lista não é extensa
A alma guarda a proporção
Embora já não me pertença


Repudio a nostalgia
Amor não é doença
Vou seguir a intuição
Um dia vem a recompensa
*
*
*

sábado, 22 de agosto de 2009

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Urbanus.
*
*
Barulhos harmônicos.
Milhões de conversas próximas e simultâneas
sobre assuntos próximos e comuns.

Milhões de bom-dias desperdiçados,
milhões de acasos não aproveitados,
milhões de minutos iguais.

Um ponteiro pra cada lado,
o maior aos céus,
o menor ao inferno.

A cidade ainda é como os ponteiros dessa hora
em que burbulham pontos iluminados
numa dança descompassada,
num ritmo crescente,
independente e limitado.

Energia que pulsa,
luzes que cegam pra suprir
a luz que se despediu, e não faz falta.

Cegueira automática.

Asintomática.

Presente em todos os dias em que ainda
sobrevivemos à essa colônia governada por ninguém.

Me jogo de peito aberto às luzes da cidade,
onde ninguém é capaz de ouvir o próprio ruído dos sapatos,
onde ninguém repara no caminho por onde passa,
onde o tempo perde a relevância.

Quanto ao tempo,
muitas vezes o mais é menos,
e o menos continua sendo muito pouco.

Todos os dias o mesmo caminho,
no mesmo horário,
do mesmo jeito,
e talvez, com as mesmas pessoas.

Tudo igual.

Nosso repertório aos poucos vai se igualando à mão que aperta areia fina.
Nossas memórias juntam os dias parecidos numa coisa só,
nossa cabeça numa tentativa de encontrar ordem em meio ao caos,
e o que foram dez meses se tornam dez dias.

Envelheçemos cada vez mais rápido.

Linha reta,
sorriso no canto da boca,
vento frio no rosto,
asfalto irregular
e sempre uma música na cabeça.

Minha trilha sonora se renova a cada semana.

Que venham os faróis verdes,
não vou parar,ainda há um canto que posso chamar de lar.
*
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Negações.
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Não quero não saber não te odiar
Não quero mais correr, nem te alcançar

*

Nao te julgo, mas tento respeitar

Não te faço, nem tento superar

Não te quero, mas tento te evitar

*

*Sim.

Razão pela qual me faça repensar se tudo isso simplesmente é.
Essa loucura, sem cura, de amar.

*
*
Se tudo isso simplesmente é.

Essa loucura, sem cura, de amar.
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Ciclo.
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Nunca viveremos a noite do próximo dia.
Toda noite ainda é o mesmo dia.
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Ponto de Vista.
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Antes do depois só existe o durante.
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..
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domingo, 1 de fevereiro de 2009

.ACIDO MONALINA.
*

Por mais que a melhor fuga elabore
Por mais que a calma te devore
Mesmo que demore
*
Não ignore!
Por mais que ore
Isso não se evita
E nem se escolhe
Ela vem e te recolhe
Não peça
Não implore
*
Como tudo renovável
A meia-noite é inevitável
Lenta e estável
Assim caminha minhas horas
Caminhando à minha hora
Hora de não ver
Nem meia noite
Meio minuto
Minha senhora
*
Finalmente vou-me embora!
Ele ora e ela ora chora
Agora
*
Temor
*
Cristina tinha roma!
*
Ide. Ide. Ide.
*
*

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A PRIORI


Sinto em cada pulso os vestígios de uma metamorfose programada,

assistida e voluntária que maquia meu instinto criativo, intenso e libertário.

Não nego o que aprendi, nem menosprezo a felicidade conquistada.

O que me assombra é a necessidade real de provar que nunca me traí.

*

Auto-reconciliação.

*

Convencer-me que sempre estive dentro de mim.

Reconheço minha insignificância e entendo que sou culpado por tudo o que me cerca.

Pelo menos por enquanto, enquanto houver pranto, desaprenderei a me doar.

Desaprenderei a converter a dor em verso. Ou o inverso.

*

Sigo alheio em minha busca por sentido.

Absolvido.

Cúmplice de meu medo.

Evoluo e retrocedo.

Construo-me em segredo.

*

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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Reação.
*
Não existe distância.
As pessoas estão exatamente no lugar que nós as mantemos.
E existe bem menos de nós nas pessoas do que imaginamos.
Então, se não sabemos o quanto de nós há em cada pessoa,
Como saber a distância que as devemos manter?
*
Muitas vezes sentimos bem menos do que declaramos. Isso é hipocrisia.
Hipocrisia nas demonstrações de afeto ainda são melhores que a indiferença do orgulho?
Muitas vezes também acreditamos bem menos nas pessoas que pensamos.
*
Somos um recorte. Molde sofrido.
Ter cautela não é vantagem pra ninguém quando se busca espontaneidade nos sorrisos.
Seria impossível preencher um lugar no peito alheio com exclusividade.
É preciso conviver as adversidades e tentar desenvolver uma personalidade
desinfetada, livre das contaminações da moral, do peso do certo e errado.
*
Ainda podemos zerar o prejuízo.
Mas nem mil beijos com a força do tamanho exato de nosso limite seria o bastante.
*
Em nada evoluímos.
Apenas achamos explicações pra algumas coisas.
*
*
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Ex.plosão
*
O que te sinto é bomba caseira
A alimento sem medo
Sem saber que a cada gesto
A enriqueço contra mim
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Vivo sob sua tranquilidade apavorante
Sua calma preocupante
Sua intensidade sutil e sufocante
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Toda essa intensidade tem um preço
Preço esse que não é possível mensurar
E justamente por isso serei um eterno devedor
*
Devo.
Devo e vivo na mais assustadora satisfação das sensações
*

terça-feira, 1 de abril de 2008

Oferendas ao Nada!
*
Quantos de nossos esforços são?
Quantas de nossas palavras são?
Quantos de nossos interesses são?
Quantas de nossas filosofias são?
Quantas vezes nós mesmos e tudo
O que fazemos são oferendas ao nada?
*
A perda da essência é ausentar-nos de nós mesmos
Ficando num estado de absoluta vulnerabilidade e conforto aparente.
*
Somos seres expandidos!
*
Expandimos nosso ego pra conter nossas insuficiências
Expandimos nosso ateísmo pra conter nosso pesado comodismo
Expandimos nossos credos pra conter os medos, as dores, as dúvidas
Expandimos nossas tradições e a moral para conter nossas traições imorais
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Somos mornos.
*
Preguiçosos.
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Em vão!
*
Mas mesmo assim...
Ainda temos o controle de tudo!
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Ou pelo menos de quase tudo.
*
Ou pelo menos achamos que temos.
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Ou pelo menos... Menos.
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Menos e bem menos.
*
Cada vez menos.
*
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segunda-feira, 10 de março de 2008

Orgulho.

É do que a vingança se alimenta

É onde a alma se condena
*
É auto-estima imposta

É renunciar ao que se gosta

É querer a distância mais próxima

É repetir frases de efeito

É ignorar o que vem do peito

É se defender de qualquer jeito
*
É um flagelo silencioso
Silencioso mas necessário
Necessário e silencioso
*
Maximizarei os desejos e minimizarei os defeitos
Esse será seu conforto e minha salvação
Dessa loucura sem cura
Dessa intransigência racional
Dessa tortura dialética,
*
Dialética e necessária.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Penitência.
*
Me rasgue aos poucos
.
Não se preocupe em afiar
.
Me corte nas juntas
Me ponha do lado
.
Não vou gemer uma palavra
.
Martele cada pedaço
Me olhe neste estado deplorável
Me chame para ver se atendo
Me corte sem dó
.
Leia cada poema meu em minha sentença de morte
Me deixe jogado à própria sorte
.
E não entenda o meu silêncio como desistência
É só minha penitência
.
Amanhã estarei melhor
*

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Insano.

*

Em nome da relatividade das palavras mal ditas,
da arte das verdades omitidas,
da inveja camuflada em seu oposto,
da desconfiança estampada em qualquer rosto,
da nossa falsa evolução como seres humanos
e da importância ao desnecessário
estou aqui.

Venho renunciar à humanidade!

Esconjuro todos os olhares seguidos de comparação, repudio todo sorriso sem paixão, toda inveja que corrói cada coração que nem sabe ao certo o que quer, a falta de coragem para assumir pra si mesmo um amor, as complexidades desnecessárias, as filosofias, os processos, os tópicos, títulos e subtítulos que insistimos em segmentar um amor.
Amor foi feito pra ser sentido, adorado e construído pela fusão de dois seres que tem a capacidade de amar, logo de existir.
Nós precisamos de amor pra funcionar. Só.

Sendo assim não sou mais humano, sou feliz, sou liberto, sou insano.

*

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Simplificar-me-ei.
*
Sou parte solta voando por aí
Tentando desenterrar
Lembranças mortas que nem sei se hão de convir

Desenterrado sei que limpo não virá
Após lavado sua essência se perderá
Minha metade deixarei desintegrar
Embora na verdade sei que a pena não valerá

Quando isso se cumprir
Saliva e lágrimas hão de se confundir

Quando o peso de um corpo não é mais presente
Quando o que nos sobra é inexistente
Pois nem tudo o que é vivo sente
Nem tudo o que morto se faz ausente.
*

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Cicatriza.

*
Não há nenhum barulho
Silêncio incômodo
Nessa perfeição que me faz réu
Cicatriza os cortes
E o pulso forte ao te ver
Por motivos paralelos que nem sei

Diz-me como caminhar
Diz-me como aceitar se meus olhos só me traem
Basta piscá-los para errar
Fugindo à luz com medo de não cicatrizar

Pois nem todas as flores têm a mesma sorte
Umas nascem para enfeitar a vida, outras a morte
Nessa perfeição que me faz réu
Distante sim, mas à caminho do meu céu.

Embora eu estarei juntando os cacos pra manter os
Supérfulos necessários aos que me dôo,
Desacralizarei hierarquias intocáveis
Afim de sentir-me vivo mais uma vez.

Pois nem todas as flores têm a mesma sorte
Umas nascem para enfeitar a vida, outras a morte
Nessa perfeição que me faz réu
Distante sim, mas à caminho do meu céu
*

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Com Fusão.
*
Vontade violenta e impiedosa
Que me rasga o peito
Me desfigura a face
Me resume ao nada.
Metade sem todo...
Sou nada sem nada...

Os sapatos a descalçar,
Das roupas se livrar, os dedos estalar.
Palavras à desentonar,
Ofegância chega à quase sufocar.
Até o obvio se descomplicar
Fusão óbvia, prazer sóbrio, mais forte ao ópio.

Um coração inressarcido
Desvalorado e confrangido
Num presente sem futuro ou passado
Com os mesmos velhos sapatos calçados
*

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Imune à dor.
*
Paixão descomplicada,
Viciosa e necessária,
Gostosa e explosiva,
Prazerosa e indutiva.
Misture tudo isso e veja o que te trago aqui no peito!
Quero todas as coisas desse mundo,
Desde que nelas haja um pouco de você.
Esse mix de sentimentos já não me sufoca.
Estou imune à dor desse ano, dessa vida ou o que for!
Pois sei o que é o amor.
Te tenho amor.
*

terça-feira, 18 de dezembro de 2007